Atibaia, SP — piloto desde 1990
"Hoje não posso mais andar. Mas tenho asas para voar."
Em voo
Piloto de asa delta desde 1990 — hoje também nos ares do planador.
01 — Voo livre
Cresceu com o voo livre dentro de casa — o pai começou a voar de asa delta desde que Lois tinha 8 anos, e a paixão veio dessa convivência, dele e dos amigos dele. Só foi decolar pela primeira vez aos 17, em 1990, mas o conhecimento técnico acumulado desde criança fez o medo comum do primeiro voo quase não pegar: parecia que ele já voava havia anos.
Logo nos primeiros voos já decolava de reboque — método que vivia um recomeço no Brasil pouco antes de virar prática constante desde o início da sua carreira. Sempre foi piloto de cross country, apaixonado por grandes distâncias. Em dezembro de 1995, competiu no Mundial de asa delta em Forbes, na Austrália, e venceu uma das provas — com a meta de ser campeão mundial ao alcance.
Em 1996, um acidente de parapente mudou os planos. A nova meta era simples: voltar a voar. Adaptou a asa e o equipamento — o harness — e, seis meses depois, já estava voando de novo, tanto de parapente quanto de asa delta.
Em 2007, já como piloto cadeirante, liderou o planejamento — leitura meteorológica, logística, uma semana de voos num rancho de reboque recém-aberto perto de Rifaina — e bateu, com dois amigos, o recorde paulista de distância em equipe: 287 km, depois de dois voos que ficaram perto antes de a equipe finalmente chegar à meta.
Organizou em 1996, em Andradas (MG), um dos encontros internacionais com maior premiação da história do voo livre. Foi um dos protagonistas do episódio "A História do Voo Livre". Recentemente iniciou suas práticas no planador, em Bebedouro. De 2022 a 2024 foi vice-presidente da CBVL (Confederação Brasileira de Voo Livre).
Na água
Da vela paralímpica às expedições de caiaque pela costa brasileira.
02 — Vela, caiaque & rafting
Sempre foi nadador — competiu por muitos anos, desde criança, ainda antes do acidente de 1996. A relação com a água sempre esteve ali, entre windsurf e surfe; continuou indo pra praia mesmo depois, já como cadeirante, tentando adaptar o que dava. Nunca foi muito bom no surfe, mas sempre se divertiu.
A vela veio mais tarde, em 2012/2013, já como vela adaptada — e o que fisgou foi a semelhança com o voo: a leitura de vento e meteorologia que já trazia da asa delta ajudou muito a entender o veleiro. Começou numa equipe de duas pessoas, numa classe aberta do brasileiro, com um parceiro sem deficiência, e depois se especializou na classe individual 2.4, onde é duas vezes vice-campeão Brasileiro. Essa classe o levou a Helsinque, na Finlândia, onde foi o primeiro brasileiro a competir num mundial de vela paralímpica.
Em 1996, fez uma expedição ao Nepal com outras nove pessoas com deficiência, descendo o rio Kali Gandaki em cerca de seis dias — a primeira expedição adaptada com participantes brasileiros no rio. A experiência o levou ao caiaque de água branca, que pratica até hoje, por lazer. Em 1998, competiu em rafting numa equipe de quatro — ele, Tanaka e Ranimiro, com deficiência, e Marcelo, sem — e ficou em 5º lugar no campeonato brasileiro aberto, entre 16 equipes.
O caiaque oceânico veio uns cinco anos depois da vela. Gosta de fazer grandes distâncias — a mesma vontade de sempre, também presente no voo — e já fez uma expedição de 126 km entre Cananéia e Ilha Grande, além de outras menores.
Raízes
Do bicicross na infância ao yoga de hoje — o mesmo corpo, décadas de distância.
03 — Handcycle & raízes
Tentou os esportes mais convencionais — bola, tênis — mas nunca pegou o jeito. Aos 11 anos, quando a família se mudou para Atibaia, ficou mais perto da natureza, e pedalar virou algo natural: desenvolveu-se no bicicross, competindo mais nas provas de distância — os enduros — do que na pista, que andava só por diversão.
Em 1988 começou a andar de skate, na mesma época e no mesmo grupo de amigos de Bob Burnquist e Ueda, em Atibaia. Andou por anos — até o dia anterior ao próprio acidente, em 1996.
A paixão pela bicicleta nunca foi embora depois do acidente. O handcycle foi a forma de continuar pedalando: assim que conseguiu o primeiro, já começou a praticar. Hoje percorre longas distâncias, como a clássica ida e volta de 100 km entre Atibaia e Igaratá.
A escalada veio logo depois do acidente também — chegou a montar uma parede de escalada dentro do próprio evento em Andradas, e já praticava em academias com parede indoor. Amigos que escalavam montanha o levaram algumas vezes à pedra de verdade, como a Pedra do Santuário, em Pedra Bela — nunca foi muito frequente, e praticava mais indoor do que na montanha, pela dificuldade do terreno.
Hoje mantém o condicionamento praticando yoga, academia e bike.
Resiliência
Carreira
Programador desde os 15 anos — a carreira em tecnologia soma mais de 40 anos, não só os últimos 25. Em 1997, ano seguinte ao acidente, formalizou a L2: uma consultoria de tecnologia e, em paralelo, a Xsports, revista que também dirigia. A consultoria já nasceu focada em acessibilidade digital — tornar sites e ferramentas do mercado acessíveis —, tema que passou a enxergar de perto depois do próprio acidente. Em 2004, cofundou a Mais Diferenças, ONG dedicada à educação inclusiva, onde segue atuando até hoje. Foi convidado pelo CONADE — com o Itamaraty por trás da seleção — para integrar a delegação brasileira nas discussões que resultaram na Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
A decisão de entrar no mundo corporativo, anos depois, foi estratégica: trabalhar de dentro de empresas de alto impacto, sempre liderando o ERG de acessibilidade e inclusão em paralelo à função principal, para levar essa pauta a uma escala que o terceiro setor sozinho não alcançaria.
L2 Comunicação e Tecnologia Fundador & CEO · e Xsports (revista)
Mais Diferenças & Associação 3IN Fundador · Conselho de liderança
Microsoft Program Marketing Manager, Enterprise Mobility Brasil
Salesforce Senior Customer Success Manager
Google Cloud Sales Strategy & Operations Lead
Fora do esporte
Quando não está na água, no ar ou na estrada, é em casa — com os cachorros por perto, mais precisamente na cozinha. A paixão pela culinária vem desde pequeno, sempre parceiro da mãe, questionando tudo e logo cedo já se aventurando com receitas próprias. Hoje tem personalidade na cozinha e está sempre estudando novas técnicas e culturas.
Fotografia
Antes das câmeras GoPro no capacete, Lois já fotografava. Foi um dos fotógrafos por trás da Xsports, a primeira revista brasileira de esportes radicais sob uma perspectiva multiesporte — já existiam publicações de nicho, mas nenhuma reunia vôo livre, pára-quedismo, escalada, canoagem, surf, wake e skate num só lugar.
Lançada em 1997, teve 8 edições feitas por uma equipe pequena — a última tiragem chegou a 30 mil exemplares. A credibilidade entre os esportes vinha da qualidade técnica e gráfica, muito acima do padrão da época.
YouTube & Instagram · @loisneubauer